BUENA TERRA MISSIONEIRA - O município de Bossoroca
apresenta em seu espaço físico territorial, um patrimônio histórico e cultural
invejável, que evidencia a grandeza desta pequena cidade, ao longo de sua
trajetória evolutiva e no processo fundamental para solidificação de valores, regional
e local. O patrimônio histórico e cultural
da Buena Terra Missioneira, representa um papel importante no processo de
gestão do município, buscando resgatar a sua contribuição social, política e
econômica, oriunda de seu potencial evidenciado pelos atrativos turísticos.
IGREJINHA - ONDE TUDO COMEÇOU - Segundo
historiadores, em 1822/23, com a concessão de terras pelo Governo Português,
chegou à este local, o primeiro povoador, o italiano Joseph Fabrízio, que
passou a chamar-se de José Fabrício da Silva em razão das exigências para
concessão de terras no Brasil.Após um tempo e em razão da morte
de um de seus filhos, quando então nosso município era o 4º Distrito de São
Borja, o sepultamento ocorreu no alto de uma coxilha, nas proximidades do
acidente.
Iniciava-se então, o cemitério da
Igrejinha, um dos mais antigos do município. Teve esta denominação em razão de que a capela construída para o sepultamento tinha o formato de uma igreja, surgindo daí, o nome de Igrejinha.
Dizem que o velho José Fabrício,
desgostoso com a morte do filho, mudou-se, colocando-se na costa do Piratinin,
onde hoje encontra-se a Estância Velha.
Nas imediações da Igrejinha,
carreteiros, tropeiros e mascates que por ali passavam, sesteavam ou
pernoitavam próximo ao cemitério, já que o local oferecia condições para um
bom descanso, com capão de mato à margem da estrada real e água límpida e
fresca.
CEMITÉRIO DOS CATIVOS - Este pequeno cemitério
iniciado em 1879, encontra-se localizado próximo à zona urbana de
Bossoroca. Sua história começa com José Fugante, proprietário de terras e
carreteiro. Fugante encontrava-se viajando, em uma de suas carreteadas, e seus
escravos ajudavam os de Barrios, que também residia nas imediações. Em momento
de folga, os escravos brincavam com com os filhos de José Fugante e um deles,
Julio Cesar de 7 anos, foi ferido no abdômen pela ponta de uma picana.
O
ferimento foi grave e, em poucos dias, o menino faleceu. Barrios então,
pensando agir de forma correta, identificou os negros que tiveram participação
no acidente e o que causou o ferimento, chamado Ambrósio, que pertencia a
Barrios, foi decapitado e sua cabeça ficou exposta, para servir de exemplo aos
demais, num palanque em frente à sua casa. Porém, José Fugante, que havia perdido
o filho mas que também gostava dos negros, não aprovou a atitude tomada por
Barrios.
Diante desta situação, os outros escravos planejaram vingança e numa
sesta de Barrios, em pleno meio-dia, o atacaram a pauladas e o
mataram. José Fugante também pediu à sua família que, quando morresse, fosse
sepultado no mesmo local onde os escravos estavam.
Um túmulo que ainda se
destaca no cemitério dos Cativos, é dele, pois os negros eram enterrados no chão
sem qualquer identificação. Na realidade, o cemitério dos cativos, surgiu
em razão de uma Lei Imperial de 1850, que proibia, entre outras situações, o
sepultamento de escravos junto com os brancos e permanece como prova de um
tempo cheio de preconceitos, sendo, segundo pesquisas, o único do Brasil.
MEMORIAL AO 1º GENERAL FARROUPILHA - Na BR 285, no entroncamento com a
estrada vicinal que leva a localidade conhecida como Timbaúva, no município de
Bossoroca, existe um marco que poucas pessoas tem conhecimento de sua
localização e de sua importância histórica cultural.
Num local já tomado pelo mato, é possível
encontrar uma pedra com uma placa, que provavelmente seja mármore, já quebrada,
fazendo alusão ao local onde tombou João Manoel de Lima e Silva, o 1º general
das forças farroupilhas.
O local exato de sua morte ninguém sabe, mas a
história conta que o mesmo foi morto nas proximidades de São Luiz Gonzaga em uma
emboscada, quando preparava a defesa das missões, em 16 de agosto.
Segundo o
que foi possível apurar, a pedra foi levada àquele lugar por um grupo de
cavalarianos do Piquete João Manoel, de São Borja, em data desconhecida até
então.
A ACB – Associação Cultural de Bossoroca chegou a conseguir autorização
para a construção de um memorial naquele lugar, através do DNIT. No entanto, em
razão do desinteresse das pessoas e instituições que poderiam ajudar, o projeto
foi abandonado.
GRUPO ESCOLAR GASPAR S. MARTINS - Construído em 1938/1939, este prédio foi o primeiro grupo escolar do município, quando Bossoroca ainda pertencia à São Luiz Gonzaga e foi chamado de Gaspar Silveira Martins, em homenagem a um deputado estadual e ministro da época. Hoje este prédio histórico abriga a sede da Associação Cultural, o Museu Municipal Paulina A. Pereira, a Inspetoria Veterinária e um posto do Detran.

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ESTÁTUA DE NOEL GUARANY - Monumento ao missioneiro Noel Fabrício da
Silva (Noel Guarany) em razão de seu trabalho musical e por ser alguém que adotou
a Buena Terra, levando aos quatro cantos do Rio Grande, o atavismo da
Bossoroca. O trabalho é do escultor Vinicius Ribeiro.


ACERVO DE NOEL GUARANY - Localizado no saguão de entrada da Prefeitura Municipal de
Bossoroca o "Espaço Noel Guarany" resultou da necessidade de mostrar
à população e visitantes, objetos pessoais deste missioneiro, como fotos, letras
de musicas, um de seus violões e outros pertences que sintetizam sua vida e sua
arte. A intenção de criar este local surgiu por ocasião de seu velório, no dia
6 de outubro de 1988, que foi prontamente aceita por todos, principalmente
pelos familiares de Noel, sua esposa Neidi e a filha Laura. Posteriormente, o
Governo Municipal iniciou a estruturação do local o qual foi inaugurado no dia
6 de outubro de 2007, sendo que à noite, foi realizada uma das edições do
evento em sua homenagem, "Tributo a Noel Guarany", com a participação
efetiva de vários artistas, simpatizantes e comunidade local e regional.

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ESTÂNCIA JESUÍTICA DO SOBRADO - Construído em 1840, por João da
Costa Furtado, é um prédio de dois pisos e assim chamado de sobrado. Conta a
história que neste mesmo local existia uma morada muito antiga, que pode ter
sido um posto jesuítico ou um aldeamento indígena.
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ESTÂNCIA VELHA - Antiga propriedade onde residiu um dos primeiros
povoadores desta região, o italiano Joseph Fabrizio "da Silva",
descendente de nobres italianos, naturais de Veneza, sendo que o sobrenome
"da Silva" era uma espécie de contrapartida exigida pelo império para
concessão de terras. Sua construção ocorreu entre 1815 a 1820. Primeiramente, José Fabrício residiu no local hoje conhecido como Igrejinha e onde ainda existe o Cemitério da Igrejinha, iniciado com o sepultamento de seu filho. Em razão do acidente, José Fabrício mudou-se para esta área.

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MAUSOLÉU NOEL GUARANY - Local onde está sepultado o missioneiro
Noel Fabrício da Silva - Noel Guarany, o Cantor da Bossoroca. A construção do
mausoléu foi feita com vários elementos que compõe a geografia e a história
deste imortal interprete da música missioneira.
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CLUBE CAÇA E PESCA SANTO HUMBERTO- Localizado às margens do rio Piratini, na
divisa com Santo Antônio das Missões, o clube Caça e Pesca Santo Humberto é um
aprazível local, que oferece ampla área de lazer, com espaço para acampamento,
quadra esportiva e local demarcado nas águas do Rio Piratini. Neste local
encontra-se localizada a ponte de ferro, antiga ligação entre Bossoroca e São
Borja.

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Igreja Católica localizada junto a praça Porfírio Pereira
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MUSEU
MUNICIPAL PAULINA A. PEREIRA - Com um acervo considerável de peças e
documentos antigos, o museu municipal Paulina Alves Pereira, é o local
preferido de historiadores, professores e alunos e se traduz em uma modesta
homenagem para esta senhora, que em tempos passados, foi uma das pessoas que
mais contribuíram para o desenvolvimento da cidade. Seu marido, capitão do
exército Porfirio Pereira, empresta o nome para a praça principal, sendo que o
quarteirão que abriga esta praça, foi doação do casal.

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CERRO DA BELA VISTA: De propriedade do artista
plástico Marquito Moraes, o Cerro da Bela Vista está localizado no interior do
município, no distrito da Timbaúva, local de nascimento de Jayme Caetano Braun
e se traduz em um local aprazível que oferece uma vista deslumbrante da região. Saiba mais sobre este local

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LAGOA DO CERRO - Esta bela lagoa encontra-se localizada no Rincão
das Burras, sendo e tem sua nascente no alto de um cerro. Segundo informações,
mesmo em épocas de estiagem intensa, suas águas sempre se mantiveram no nível,
mostrando que a vertente que lhe dá origem é bastante forte.
PRAÇA PORFÍRIO PEREIRA – Localizada na zona central de
Bossoroca, este amplo e arborizado local leva o nome do esposo de Paulina Pereira,
capitão Porfírio Pereira, em sinal de reconhecimento pelos préstimos em prol do
desenvolvimento do município em sua fase inicial.
PRAÇA JOSÉ FABRICIO DA SILVA - Bonito e tranquilo lugar localizado na Av. Marechal Castelo Branco, próximo ao Bairro Gaúcha.

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GALPÃO DOS ESCRAVOS - Alguns a chamam de senzala, outros afirmam
que era um galpão onde escravos que fugiam de seus donos, procuravam abrigo,
pois conta a lenda que o proprietário da época era contrário a escravidão. Este
galpão está localizado junto a Estância Jesuítica do Sobrado.

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QUIOSQUE NOEL GUARANY - Localizado na praça Porfírio Pereira, este quiosque
foi construído em torno de uma antiga caixa d'água, num arrojado projeto
arquitetônico.

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Prédio da antiga estação ferroviária
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PONTE DE FERRO – RIO PIRATINI - Em 1900, construiu-se a primeira
ponte sobre o rio Piratini, que ligava São Luiz - São Borja. A construção foi
em madeira. No entanto, com a grande enchente de 1905, a enxurrada levou a
ponte água abaixo. Num esforço do Senador Pinheiro, foi trazida uma estrutura
metálica que permanece até hoje. Embora desativada, a ponte é um local de
visitação e marca uma época da nossa história. Hoje, empresta um tom nostálgico
ao rio de águas mansas. Um belo lugar para sentir a natureza.

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CASA ONDE NASCEU JAYME C. BRAUN - No distrito da Timbaúva, resistindo
ao tempo, ainda pode ser vista a casa onde nasceu o mestre dos pajadores, Jayme
Caetano Braun.

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CASA
DE PEDRAS - Localizada
no Rincão dos Antunes, foi construída em 1830 por João Manoel Xavier Pedroso,
imigrante do Paraná e primeiro proprietário da sesmaria do Rosário naquela
localidade. Segundo a história, serviu de refúgio aos revolucionários de 35.
Contam os mais antigos, que em seu interior foram guardados preciosos tesouros.
O quadro de pedras que aparece na frente da propriedade, encerra uma história
triste e singular, repleta de mistérios como outras que rondavam a existência
dos primeiros habitantes desse lugar. Segundo informações, muitas mortes correram neste local, entre elas, a do filho de João Manoel que foi morto por um grupo de castelhanos a mando de Frutuoso Rivera, sendo que esta morte ocorreu antes da construção da casa. Logo depois um dos descendentes também veio a falecer em uma desavença com um vizinho da propriedade.

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Casa de Pedras
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SOCIEDADE AMIGOS DE BOSSOROCA - A SAB - Sociedade amigos de
Bossoroca, é uma entidade social que tem sua sede próximo a zona urbana, com
ampla área de lazer.
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